Cantífula de Castro e Dra Maria Helena Serrão, lançamento do livro 09.07.2011 Hoje, estou aqui na honrosa e difícil tarefa de apresentar o lançamento da obra “ Labirinto de Amor ” fazendo a ligação do UM e o MÚLTIPLO numa temática que faz sobressair o lirismo de alma aberto à realidade. O seu livro, feitiço do tempo, faz do autor um cérebro privilegiado de imaginação, de realidade e de Amor, onde ressaltam as naturais interrogações da telepatia das emoções, governadas pelas paixões entre a dor e a sua própria dimensão. Neste tipo de arte, o artista escreve duas vezes – transforma o real. É uma espécie de emblema que dá asas à necessidade. Improvisa o que a própria língua encerra, fazendo da escrita “um negócio da alma”. Pede a exemplificação da poesia de Cantífula de Castro que realce algumas atmosferas de comunicação que, em meu entender, resumem a viagem temática do manuscrito, em que a fantasia modela a fria realidade e a luz da saudade!..., expressa nos versos: «(......
NEGRO DOMINGO DE FUTEBOL Cheirou-me vida endeusada, demônios gigantes Fantasmas acemiterrados [1] , luto de elefantes Roendo cogitações, conselhos empolgantes Queda deflagrada, em mim sem instantes: A dor selvagem, de inefável semblante A alma carregada de indescritível sarcasmo As veias tatuando-me a solidão Na vanguarda de um silêncio angustiante. A meu lado cantando duras madrugadas, Lágrimas que escorrem minha dor insuportável Lembranças do tempo que me trouxe as enxurradas A enxerga do meu mundo deplorável. Saudades de viajar, sozinho viver Ao mundo a verdade encontrar, sofrer Com amargura minha adolescente puberdade Arrancada ao leito de mim sem piedade. Os choros que chorei limpidamente, crisol Nostálgico da minha mamãe, ao colo me levando Densidade de compressão meu coração apertado No entardecer de um negro domingo de futebol. Maputo, 18 de Março de 2012 Cantífula de Castro [1] Fantasmas f ora do cemitério (criação do autor...
DIA MUNDIAL DA POESIA Vou devagarinho para não chegar depressa Sim, vou tacteando às apalpadelas e cansado Gritar com voz muda a insónia de quem luta, O insucesso de quem sofre calado, O rancor de quem carrega a história no seu coração E os demónios que me arrancam a coragem da imaginação. Vou devagarinho dançando a rubra madrugada Vestida de sol miúdo, ramelas sobre as asas Sobrevoando nas membranas do meu cérebro E nas veias do meu coração chorando de alegre tristeza A homenagem aos meus ídolos Os anjos que desenham o pensamento na alma, Escrevem o amor nas linhas do coração Desafinando o ódio nas fibras do seu inconsciente. Cantam a beleza da natureza nos seus olhos Honram o Criador com salmos e louvores Na manhã de 21 de Março dia Mundial da Poesia: Este dia que me enche de suspiro, Me acalenta o espírito, me embriaga de melancolia, As divindades que domam meu coração terno Aos braços desta mundo que nos acolhe.
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